O Inep, órgão responsável pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), estuda adotar inteligência artificial (IA) no processo de elaboração e testagem de questões das futuras edições do exame. A ideia é aplicar um modelo híbrido, no qual a tecnologia atuaria ao lado de especialistas humanos, sem substituí-los por completo.

O objetivo principal é modernizar o sistema, tornando a construção da prova mais eficiente, segura e econômica. A seguir, veja os possíveis benefícios e desafios dessa transformação.
5 VANTAGENS
1️⃣ Menor custo e logística mais simples
Hoje, para validar as questões do Enem, o Inep realiza pré-testes com milhares de estudantes espalhados pelo Brasil. Esse processo envolve transporte, pessoal, organização e tempo. Com a IA, parte dessa testagem pode ser simulada digitalmente, reduzindo gastos e burocracia.
2️⃣ Mais segurança e menor risco de vazamentos
Cada etapa com participação humana representa uma brecha de segurança. Ao diminuir a manipulação física das questões e o número de pessoas envolvidas no processo, a IA pode ajudar a reforçar o sigilo, evitando problemas que já ocorreram em edições passadas.
3️⃣ Agilidade na criação e revisão das questões
A IA pode auxiliar especialistas ao propor itens, analisar coerência lógica e verificar padrões de dificuldade com muito mais rapidez. Assim, o banco de questões pode ser ampliado e atualizado com maior frequência.
4️⃣ Modelagem mais precisa dos níveis de dificuldade
Tecnologias de análise avançada conseguem prever, com alto grau de acerto, como os estudantes tendem a se sair em determinada pergunta. Isso facilita a calibragem necessária para manter o equilíbrio entre questões fáceis, médias e difíceis — essencial para o sistema de notas do Enem (TRI).
5️⃣ Acompanhamento de tendências educacionais
Cada vez mais países usam IA em avaliações nacionais e certificações. Incorporar a tecnologia pode manter o Enem alinhado às tendências internacionais e a uma educação conectada à inovação.
5 RISCOS E DESAFIOS
1️⃣ Possibilidade de erros e superficialidade na formulação
Apesar dos avanços, a IA ainda pode gerar questões com equívocos de conteúdo, falta de contextualização ou enunciados mal estruturados. No Enem, que exige interpretação profunda, temas atuais e sensibilidade social, a revisão humana continuará indispensável.
2️⃣ Falta de transparência sobre critérios e algoritmos
Questões geradas ou analisadas por IA dependem de modelos matemáticos complexos. Se não houver clareza sobre como esses sistemas definem a dificuldade ou a qualidade de uma pergunta, podem surgir questionamentos sobre a justiça da avaliação.
3️⃣ Risco de padronização excessiva
A IA tende a repetir padrões com base no que já existe. Isso pode limitar a criatividade, o pensamento crítico e a diversidade temática que caracterizam o Enem, reduzindo o exame a um formato previsível e pouco inovador.
4️⃣ Possíveis vieses nos conteúdos
Sistemas de IA aprendem a partir de dados já existentes. Se esses dados carregam preconceitos, desigualdades ou visões parciais, a tecnologia pode reproduzir e até ampliar esses problemas. Isso é especialmente grave em um exame nacional com milhões de jovens de diferentes realidades.
5️⃣ Resistência e insegurança dos estudantes
Qualquer mudança no Enem gera debates. O uso de IA pode causar desconfiança: será que a prova continuará justa? A dificuldade vai mudar? A avaliação permanecerá humana? Até que a tecnologia se prove confiável, dúvidas podem afetar a percepção dos candidatos.
Conclusão
O uso de inteligência artificial na elaboração das provas do Enem representa um passo importante para a modernização do exame. Agilidade, economia e segurança são benefícios evidentes. Porém, os desafios éticos, pedagógicos e técnicos exigem cuidado e participação ativa de especialistas para que a qualidade da prova seja preservada.
Por enquanto, nada muda imediatamente — o Inep segue estudando o tema. Mas a discussão já está aberta e deve continuar nos próximos anos, influenciando o futuro da maior avaliação educacional do Brasil.
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