Importação de leite do Mercosul pressiona produtores da Bahia e preocupa a Bacia do Jacuípe

A importação de leite e derivados da Argentina e do Uruguai tem gerado preocupação crescente entre produtores rurais da Bahia, especialmente na região da Bacia do Jacuípe, uma das principais áreas de produção leiteira do estado. A entrada desses produtos no mercado brasileiro, com preços mais baixos, tem impactado diretamente o valor pago ao produtor local, reduzindo a rentabilidade da atividade e colocando em risco a sustentabilidade da cadeia produtiva.

De acordo com representantes do setor, o leite importado chega ao Brasil, em sua maioria, na forma de leite em pó, utilizado por indústrias como alternativa ao leite in natura nacional. Como os países do Mercosul possuem acordos comerciais que reduzem ou eliminam tarifas de importação, esses produtos entram no mercado brasileiro com custos menores, aumentando a concorrência com a produção interna.

Queda no preço pago ao produtor

Na prática, o aumento das importações tem provocado pressão sobre os preços pagos ao produtor brasileiro, inclusive na Bahia. Laticínios e indústrias, diante da oferta maior de produtos importados, passam a negociar valores mais baixos com os produtores locais. Para quem vive da atividade leiteira, especialmente pequenos e médios criadores, a situação se torna cada vez mais difícil.

Na Bacia do Jacuípe, onde a produção de leite é uma importante fonte de renda para centenas de famílias rurais, a queda no preço do litro do leite compromete o equilíbrio financeiro das propriedades. Muitos produtores relatam que os valores recebidos atualmente mal cobrem os custos de produção, que incluem ração, energia elétrica, medicamentos veterinários e transporte.

Impactos econômicos e sociais

Os efeitos da importação não se limitam ao campo econômico. A redução da renda no meio rural gera reflexos sociais importantes. Quando o produtor perde rentabilidade, há diminuição de investimentos na propriedade, queda na geração de empregos e enfraquecimento da economia local.

Na Bacia do Jacuípe, municípios que dependem fortemente da agropecuária sentem os impactos de forma mais intensa. O leite movimenta cooperativas, laticínios, transporte, comércio e serviços. Com a atividade pressionada, todo o ciclo econômico da região sofre retração, aumentando o risco de êxodo rural, principalmente entre os jovens.

Concorrência desigual

Produtores baianos apontam ainda uma concorrência considerada desigual. Enquanto o leite importado chega ao Brasil com preços mais baixos, muitos produtores nacionais enfrentam altos custos de produção, carga tributária elevada e dificuldades de acesso a crédito. Além disso, países exportadores contam com políticas de apoio e incentivos que reduzem seus custos, algo que nem sempre ocorre no Brasil.

Essa diferença torna difícil a competição direta, especialmente para agricultores familiares, que são maioria na produção leiteira da Bahia e da Bacia do Jacuípe.

Desafios para o setor

Especialistas avaliam que, se o cenário persistir, pode haver redução da produção nacional a médio prazo. Produtores desestimulados tendem a abandonar a atividade ou reduzir o rebanho, o que pode comprometer a segurança produtiva do setor leiteiro brasileiro.

Para a Bahia, o desafio é ainda maior, pois a produção local tem papel estratégico no abastecimento regional e na geração de renda no interior do estado. Na Bacia do Jacuípe, iniciativas de fortalecimento da bovinocultura leiteira têm sido implementadas, mas enfrentam dificuldades diante da pressão do mercado externo.

Busca por soluções

Entidades do setor defendem maior atenção do poder público, com medidas que equilibrem a concorrência, fortaleçam a produção nacional e garantam condições justas aos produtores. Entre as propostas estão o monitoramento das importações, políticas de apoio ao produtor rural e incentivo à agregação de valor ao leite produzido na Bahia.


Conclusão

A importação de leite da Argentina e do Uruguai tem impacto direto na Bahia e afeta de forma significativa regiões produtoras como a Bacia do Jacuípe. A pressão sobre os preços, aliada aos altos custos de produção, coloca em alerta produtores, cooperativas e municípios que dependem da atividade leiteira. O tema segue no centro do debate e exige soluções que garantam a sobrevivência do setor e da economia rural baiana.

LEOSMAR NOTICIAS