A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada em novembro de 2025, revelou um cenário eleitoral bastante equilibrado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente Jair Bolsonaro. O levantamento, realizado entre os dias 6 e 9 de novembro, ouviu 2.004 pessoas presencialmente em 120 municĂpios de todas as regiões do paĂs. A margem de erro Ă© de aproximadamente dois pontos percentuais, com nĂvel de confiança de 95%.

Embora Bolsonaro esteja inelegĂvel atĂ© 2030 por decisĂŁo da Justiça Eleitoral, a Quaest incluiu seu nome nas simulações, considerando sua força polĂtica e influĂŞncia no campo conservador. Os resultados mostraram um paĂs ainda polarizado e dividido entre os dois principais lĂderes polĂticos da atualidade.
Cenário do primeiro turno
No cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos sĂŁo apresentados aos entrevistados, Lula aparece com 32% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro soma 27%. Em terceiro lugar surgem TarcĂsio de Freitas, com 10%, e Ciro Gomes, com 6%.
Na pesquisa espontânea, quando o eleitor responde livremente sem ver lista de nomes, Lula registrou 14% das citações, uma queda em relação aos 19% da rodada anterior. Bolsonaro manteve 6%, enquanto 72% dos entrevistados afirmaram ainda não saber ou não ter decidido o voto.
Esses números mostram um cenário eleitoral aberto e com grande espaço para reviravoltas, principalmente entre os indecisos.
Disputa no segundo turno
Em um confronto direto entre Lula e Bolsonaro, o levantamento apontou empate tĂ©cnico: Lula teria 42% dos votos, contra 39% de Bolsonaro. A diferença está dentro da margem de erro, reforçando que o paĂs segue dividido.
Nos demais cenários testados, Lula tambĂ©m aparece Ă frente, mas com vantagem cada vez menor. Contra TarcĂsio de Freitas, o presidente venceria por 44% a 36%. Já contra Ciro Gomes, teria 41% a 33%.
Avaliação do governo e reeleição
A pesquisa tambĂ©m avaliou a popularidade do governo. A aprovação de Lula recuou de 48% para 47%, enquanto a desaprovação subiu de 49% para 50%. Questionados sobre uma possĂvel tentativa de reeleição, 59% afirmaram que o presidente nĂŁo deveria disputar novamente, e apenas 38% apoiaram a ideia.
Os principais motivos de insatisfação apontados foram o aumento da criminalidade, a inflação e a dificuldade para melhorar o poder de compra. Entre os eleitores independentes, a desaprovação na área de segurança pĂşblica cresceu de 48% para 52%, tornando-se um dos pontos mais sensĂveis do governo.
Cresce o desejo por uma terceira via
Um dado importante revelado pela Quaest Ă© o aumento de brasileiros que desejam um nome fora da polarização entre Lula e Bolsonaro. Cerca de 24% preferem um candidato que nĂŁo tenha ligação com nenhum dos dois, e 17% afirmam querer alguĂ©m de fora da polĂtica tradicional.
Isso mostra que quase 40% do eleitorado busca uma alternativa nova, o que reforça a necessidade de renovação polĂtica e o desejo por novas lideranças capazes de dialogar com diferentes setores da sociedade. Essa tendĂŞncia pode favorecer nomes regionais, gestores bem avaliados e candidatos com perfil mais tĂ©cnico ou independente.
Interpretação dos resultados
Apesar de Lula ainda aparecer à frente nas simulações, a tendência de queda é clara. A redução do apoio espontâneo e o aumento do número de indecisos revelam um eleitorado mais exigente e menos fiel. O empate técnico com Bolsonaro, mesmo após dois anos de governo, é um alerta para o Palácio do Planalto.
Para o governo, a pesquisa mostra a importância de apresentar resultados concretos em áreas como economia, segurança e emprego. Já para a oposição, há espaço para reorganização e crescimento, principalmente se surgir uma liderança com discurso moderado e capacidade de atrair os indecisos.
O avanço do sentimento antipolarização pode abrir uma janela de oportunidade para novas figuras polĂticas de centro ou fora dos grupos tradicionais. Esse eleitorado, que rejeita tanto Lula quanto Bolsonaro, pode ser decisivo em 2026.
ConclusĂŁo
A nova pesquisa da Quaest confirma que o cenário polĂtico brasileiro segue dividido, mas com sinais claros de mudança. Lula continua liderando, porĂ©m com vantagem menor. Bolsonaro, mesmo fora da disputa, mantĂ©m forte influĂŞncia. E um nĂşmero crescente de brasileiros demonstra cansaço com a polarização.
Com mais de 70% de indecisos na pesquisa espontânea, o quadro eleitoral ainda está longe de definido. A disputa presidencial de 2026 promete ser uma das mais acirradas da histĂłria recente, com oportunidades tanto para o governo quanto para novas lideranças polĂticas.
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